Grace Passô
31.03.2016
Primeira peça teatral solo da atriz, dramaturga e diretora Grace Passô, Vaga Carne radicaliza sua pesquisa em dramaturgia contemporânea, com a proposição insólita de uma voz como personagem e o corpo de uma mulher como cenário.
Texto e cena jogam com o desacordo entre corpo e linguagem, apresentando um processo de emergência do discurso, da identidade e da alteridade, com as particularidades da vivência social de uma mulher negra.
Em um palco vazio, sob o breu, o público se acomoda enquanto uma voz em off enuncia: "Vozes existem. Vorazes. Pelas matérias". No princípio do espetáculo, é o verbo que se apresenta, destituído de corpo, como um ser não humano, errante, que descreve o modo como adentra distintas matérias e as sensações que experimenta em cada uma delas. Até que adentre um corpo humano, investigue seu interior e se deixe afetar por suas consistências e fluxos.
A teatralidade acontece no corpo da atriz, que acentua sua dimensão espacial e sua presença, explorando os desacordos entre palavra e gesto, carne e sentido, brechas para o improviso em resposta ao público.
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira
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Senha incorreta.